Espólio

Um dos maiores patrimónios tipográficos do mundo.

Mais de cinco séculos de história reunidos num espólio único. Máquinas, ferramentas e técnicas que transformaram a forma como comunicamos — e que continuam hoje a funcionar perante quem nos visita.

Cada máquina conta uma história.

Muito antes dos computadores, cada página impressa era resultado de dezenas de gestos, ferramentas e processos. O espólio do Museu Nacional da Imprensa preserva essa memória através de centenas de peças recuperadas ao longo de décadas, permitindo acompanhar todas as etapas da produção tipográfica.

As quatro etapas da impressão

Máquina Linotype em exposição no Museu Nacional da Imprensa

Fundição

Onde tudo começa.

No sector da FUNDIÇÃO, destacam-se as colecções de punções, matrizes e moldes para a execução manual dos tipos. Encontra-se em exposição uma máquina francesa da marca Foucher do início do século XX para fundição automática de caracteres, equipamento que substituiu a tradicional fundição manual e permitiu uma produção mais barata e abundante de tipos móveis.

Visitante junto das caixas de tipos móveis do Museu

Composição

Palavra a palavra.

Esta etapa encontra-se dividida em duas partes: a composição manual e a composição mecânica.

A composição manual, que constituiu a base da tipografia e das artes gráficas, tem em exposição diversas colecções de tipos em chumbo e madeira. Surge, ainda, uma rara e diversificada colecção de vinhetas tipográficas, utilizadas na decoração e arranjo gráfico das páginas bem como instrumentos como componedores, galés, galeões, ramas e material branco indispensáveis ao trabalho da composição.

Máquina Linotype em exposição no Museu Nacional da Imprensa

Impressão

O coração da tipografia.

Prelos em madeira e ferro, máquinas planocilíndricas e rotativas contam a evolução da impressão ao longo de vários séculos — muitas delas ainda em funcionamento.

Máquina Linotype em exposição no Museu Nacional da Imprensa

Encadernação

O acabamento de cada obra.

Ferramentas, prensas e equipamentos utilizados para transformar folhas impressas em livros, jornais e publicações duradouras.

Conseguias ler como um tipógrafo?

Antes do teclado e do ecrã, cada palavra era construída à mão. O tipógrafo retirava os caracteres da caixa e colocava-os no componedor, um a um, da direita para a esquerda e de cabeça para baixo.

Peças em destaque

Linotype

Data
1964
Tipo
Composição mecânica
Produção
Linhas de tipos em metal

A Linotype transformou profundamente o processo de composição tipográfica. Em vez de organizar manualmente cada tipo, o operador utilizava um teclado para selecionar as matrizes necessárias e compor uma linha completa de texto, posteriormente fundida em metal.

Equipada com fundidor, teclado e quatro caixas de matrizes, a máquina permitia acelerar significativamente a produção. Segundo a documentação do Museu, um único operador de Linotype conseguia realizar o trabalho de sete a oito compositores manuais.

Depois de utilizadas, as matrizes eram automaticamente distribuídas novamente pelas respetivas caixas, ficando prontas para uma nova composição. Um processo mecânico complexo que tornou a produção de texto impresso muito mais rápida e eficiente.

Máquina Foucher

Data
1906
Tipo
Fundição automática de tipos
Produção
Tipos de impressão

Máquina a gás composta por uma fundidora e por um sistema de arrefecimento.

Curiosidades: Os filhos de Auguste Foucher continuaram a trabalhar com a máquina construída pelo pai, mas aperfeiçoaram-lhe as capacidades e ultrapassaram assim algumas de marca mais antiga (Kusterman, Jonson, Atkinson e Wicks), razão pela qual muitas casas da especialidade a mantiveram durante muito tempo em uso. Auguste Foucher criou, no séc. XIX, a primeira máquina para fundir tipos de impressão.

Técnica: A liga de metal quente é injectada na matriz, que é, depois, arrefecida através de mangueiras de água, provocando a rápida solidificação dos tipos.

Função: Fundir tipos de impressão

Materiais: Ferro

Prelo em madeira

Data
Séc. XVIII
Tipo
Impressão manual
Produção
Impressão

Máquina de impressão manual. Este tipo de prelo em madeira é um melhoramento do prelo do século XV, tendo a sua tipologia perdurado do século XVI ao século XVIII. Tem como principal alteração a aplicação de um sistema de movimentação do cofre através de corda e o aparecimento da mesa para bater a tinta, tendo o formato da platina sido reduzido para metade, de forma a ser obtida maior pressão.

Curiosidades: O prelo foi reconstruído partir de peças que estavam dispersas pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e pelo Museu Nacional da Ciência e da Técnica. Admite-se que seja um dos primeiros prelos que funcionaram na Real Imprensa da Universidade, fundada em Coimbra em 1772, pelo Marquês de Pombal. Este exemplar do século XVIII, reconstruído pelos técnicos do Museu, é um dos únicos exemplares existentes em Portugal e dos poucos em todo o mundo.

Técnica: O prelo era accionado por dois operários, os impressores, que repartiam alternadamente o trabalho de acordo com várias etapas sequenciais:

  • colocar a forma (composição) no cofre (carro);
  • entinta-la com a ajuda de balas (instrumentos de que se serviam os antigos impressores – bate-balas ou batedores
  • para dar tinta às formas antes da invenção dos rolos) com tinta preparada por eles próprios;
  • colocar o papel, humedecido algumas horas antes para permitir uma melhor impressão, sobre a forma;
  • baixar a frisqueta sobre o tímpano e fazer deslizar o cofre para baixo da platina;
  • accionar o braço de pressão do fuso para que a platina pressione o papel sobre o tímpano;
  • devolver o braço de pressão, o cofre, o tímpano e a frasqueta à posição inicial;
  • retirar a impressão realizada, pendurando-a de forma a secar rapidamente.

Função: Impressão

Materiais: Madeira

Albion Press

Data
1857
Tipo
Impressão manual
Produção
Impressão

Máquina de impressão manual. A construção de prelos em ferro que se verificou desde o final do séc. XVIII e início do séc. XIX, quer no continente americano (1797), quer na Europa (1795), permitiu a substituição, com evidentes vantagens, das seculares prensas em madeira. Esta alteração traduziu-se numa maior eficácia do sistema de tintagem, tarefa problemática nas anteriores prensas e consequentemente numa melhoria da rapidez de impressão.

Curiosidades: O primeiro prelo de impressão Albion Press foi construído em 1825 por J.M. Powell na Inglaterra, e a partir daí difundido em todo o mundo graças, na altura, ao enorme poderio industrial e político inglês. Este exemplar foi construído pela firma Hopkinson & Cope. Este prelo manual, raro pelo seu tamanho, foi utilizado ao longo dos primeiros anos do Jornal “O Comércio do Porto”.

Função: Impressão.

Materiais: Ferro

Johannisberg

Data
1907
Tipo
Impressão tipográfica planocilíndrica
Produção
Textos, ilustrações, desenhos e trabalhos similares

Impressora tipográfica contendo um cofre metálico plano e um compressor cilíndrico. Pode funcionar manualmente ou a motor.

Curiosidades: A empresa Johannisberg Klein foi fundada por Johann Klein e Johann Forst na povoação de Johannisberg, Alemanha, sendo que a primeira máquina foi realizada em 1846.

Técnica: A pressão realiza-se entre o cofre plano que contém a composição e o cilindro compressor, regulada e accionada por meio da manipulação do dispositivo de controle, para impressão de textos, ilustrações, desenhos e trabalhos similares.

Função: Impressão.

Materiais: Ferro

Sabias que...

Podes imprimir manualmente num prelo histórico de 1857 durante a visita ao museu?

Exposições

Agora que conheces a nossa história, vem fazer parte dela.